
Assisti ao primeiro debate dos candidatos ao Governo do Tocantins para poupar você, leitor, do sacrifício. E confirmei uma suspeita antiga: debate de início de campanha revela quem já decorou o discurso e quem ainda decora o cargo.
Comecemos pela anfitriã do desconforto da noite. Professora Dorinha, União Brasil, senadora, ex-secretária de Educação, chegou ao palco com o currículo pronto e a fala capenga. Não é força de expressão: ela simplesmente não conseguiu costurar proposta com defesa. Tentou blindar o governo do aliado Wanderlei Barbosa e, no esforço, esqueceu de explicar por que os problemas que ele prometeu resolver continuam para ela resolver como candidata. Quem escolhe vender continuidade tem a obrigação de convencer que vale a pena continuar; ela preferiu supor que a plateia já estava convencida. Não estava, e o resultado foi uma senadora sem traquejo de plenário e uma professora sem didática — o pior dos dois mundos, reunidos na mesma cadeira.
Do outro lado, Vicentinho Júnior fez o dever de casa: falou claro, citou obra (o aeroporto de Araguaína, para quem duvidava que existisse) e usou a saúde pública como alvo. Disse morar ao lado do Hospital Geral de Palmas e prometeu "se acostumar com ele de madrugada, para ver se está funcionando" — frase sob medida para virar corte de vídeo, o que também é fazer política.
Ataídes Oliveira, fiel ao personagem, disparou contra "o mesmo grupo que governa há décadas". Frase correta, repetida com o entusiasmo de quem sabe que ninguém vai rebater.
Laurez Moreira penou para explicar 1.200 exonerações feitas à frente do Executivo e, sem saída melhor à vista, agarrou-se ao discurso de defensor do concurso público como única explicação cabível. Registre-se, para não confundir fato com dedução: eram cargos de contratados, não de concursados.
Witer Naves e Du Pereira compareceram. É o resumo possível.
Debate morno, dizem as agências. Concordo, mas morno não é inútil: deu para ver quem tem discurso pronto e quem ainda improvisa a candidatura.

