
As terras mais caras do Brasil são as do Paraná, segundo estudo da Scot Consultoria.Em julho de 2024, um hectare voltado à agricultura no Estado custava, em média, R$ 60 mil, alta de 107,7% em cinco anos. Em segundo lugar, estava São Paulo, com o hectare custando em média R$ 58 mil,  aumento de 93% no mesmo perÃodo.
Mesmo em 2019 os dois Estados já lideravam o ranking de preços de terras no Brasil ?  na época, com São Paulo em primeiro e o Paraná em segundo lugar. ?Hoje as terras mais caras são em áreas consolidadas, onde não existem mais terras novas a serem abertas para agricultura e onde já está montada muita infraestrutura para a produção, como os Estados do Sul, São Paulo e algumas regiões do Centro-Oeste?, afirma Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria.
A dificuldade para adquirir terras em áreas onde as propriedades têm um preço elevado faz com produtores que queiram expandir suas atividades busquem áreas de fronteira agrÃcola. Um exemplo é o Tocantins, onde produtores paranaenses, incentivados pela cooperativa FrÃsia, começaram a adquirir terras nos últimos anos. A intenção de garantir uma sucessão familiar rentável está entre as razões para o investimento.
Geraldo Slob, vice-presidente agrÃcola da FrÃsia, foi um dos produtores que fizeram essa aposta. Sua famÃlia tinha quase 2 mil hectares em CarambeÃ, nos Campos Gerais do Paraná. Com quatro filhos, a preocupação sobre o futuro da famÃlia quando houvesse a divisão da herança levou o agricultor a buscar áreas fora do Sul.
?Para garantir as atividades, ou ficava restrito à minha área, comprando terras de vizinhos se disponÃveis, ou pagando arrendamentos impraticáveis. E nossa região é muito cara, o hectare agricultável (retirando reservas legais, área da sede e outros terrenos não produtivo) pode chegar a R$ 250 mil?, afirma Slob.
Em julho de 2022, ele e os filhos Jasper, engenheiro-agrônomo, e Leon, administrador, decidiram investir em áreas em Tocantins. O contraste era evidente: comprando terras que precisavam ser abertas para agricultura, a famÃlia encontrou áreas que custavam R$ 32 mil o hectare agricultável. ?Pelo valor de 100 hectares no Sul, era possÃvel comprar 500 aqui?, diz.
O exemplo dos Slob foi seguido por cerca de 40 produtores do Paraná que se instalaram no Estado com incentivo da FrÃsia, um trabalho que começou em 2014.
?TÃnhamos problemas sérios de áreas no Paraná, com filhos dividindo as propriedades na partilha das heranças e as produções ficando inviáveis financeiramente. Estudamos então a expansão para fronteiras agrÃcolas, e aqui no Tocantins as terras têm preço bom e disponibilidade?, observa Marcelo Cavazotti, gerente executivo da FrÃsia no Estado.
Os 110 cooperados da FrÃsia em Tocantins estão espalhados em 22 municÃpios do Estado, e têm cerca de 100 mil hectares de área bruta. Desse total, em torno de 60 mil foram comprados por cooperados que migraram do Sul com o incentivo da FrÃsia, enquanto os demais são de fazendas de produtores já instalados no Estado.
O projeto de sucessão familiar via compra de terras em Tocantins tem dado certo, afirma Cavazotti. Um levantamento da cooperativa identificou que mais de 20 filhos de cooperados estão atuando nas novas terras.
?Alguns decidiram se estabelecer aqui, enquanto outros gerenciam os negócios à distância. Um dos casos mais notáveis é de um jovem cooperado que, com apenas cinco anos de experiência no Tocantins, já planta mais do que o dobro do que seu pai alcançava no Paraná. Isso é uma prova de que estamos no caminho certo?, completa o gerente.
Reportagem do Globo Rural

