Sábado, 10 de janeiro de 2026
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PCC e CV disputam território em Palmas e Araguaína, aponta estudo sobre facções no Tocantins

PCC e CV disputam território em Palmas e Araguaína, aponta estudo sobre facções no Tocantins
PCC e CV disputam território em Palmas e Araguaína, aponta estudo sobre facções no Tocantins

Relatório divulgado na COP30 identifica atuação criminosa em 17 municípios do estado e aponta avanço do crime organizado na Amazônia Legal

O Tocantins aparece com 17 municípios sob influência de facções criminosas e com disputa direta entre PCC e Comando Vermelho (CV) nas cidades de Palmas e Araguaína. Os dados fazem parte da 4ª edição da pesquisa Cartografias da Violência na Amazônia, lançada nesta quarta-feira (19) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) durante a COP30, em Belém.

O levantamento aponta que quatro facções operam no estado: PCC, CV, Amigos do Estado (ADE), identificada em Almas, e o Bonde do Cangaço, com atuação registrada em Taguatinga. Segundo o relatório, em 14 cidades há apenas um grupo dominante, enquanto Palmas, Araguaína e uma terceira cidade registram conflito territorial entre organizações rivais.

Avanço das facções no estado

De acordo com o estudo, o avanço do crime organizado no Tocantins está diretamente ligado ao papel estratégico do estado no fluxo de drogas entre a região amazônica e os centros consumidores do país. As rodovias estaduais são apontadas como rota crescente para circulação de cargas ilícitas ocultadas em mercadorias legais.

Além de Palmas e Araguaína, o relatório indica presença criminosa em municípios como Alvorada, Gurupi, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional, Miracema, Xambioá, São Bento e Araguatins.

Contexto regional

O cenário no Tocantins acompanha a tendência observada em toda a Amazônia Legal. Segundo o estudo, 45% dos municípios da região apresentam atuação de facções ? um crescimento de 32% em um ano. O crime organizado ampliou domínio sobre rotas terrestres, fluviais e aéreas, além de expandir conexões com crimes ambientais, como garimpo ilegal e exploração florestal.

Os pesquisadores destacam que Tocantins e Maranhão se tornaram corredores essenciais entre a Amazônia e o restante do Brasil, facilitando o escoamento de drogas destinadas tanto ao consumo interno quanto ao mercado internacional.

Recomendação de ações integradas

O relatório conclui que o avanço das facções exige respostas articuladas entre diferentes instituições, com foco em inteligência policial, vigilância de rotas, ações de fronteira e fortalecimento do controle territorial. Segundo os autores, o Tocantins está hoje posicionado em um dos principais mapas estratégicos do crime organizado no país.