Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
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TCETO inicia auditoria para avaliar fornecimento de alimentação em presídios do Tocantins

Fiscalização ocorre em seis unidades e analisa desde contratos até qualidade nutricional das refeições

TCETO inicia auditoria para avaliar fornecimento de alimentação em presídios do Tocantins
TCETO inicia auditoria para avaliar fornecimento de alimentação em presídios do Tocantins

O Tribunal de Contas do Tocantins (TCETO) deu início a uma auditoria operacional para avaliar o fornecimento de alimentação nas unidades prisionais do Estado. O objetivo é verificar se as refeições entregues aos custodiados estão em conformidade com os contratos e a legislação vigente, se atendem aos padrões higiênico-sanitários e se garantem o direito fundamental à alimentação adequada.

Atualmente, o Tocantins conta com 25 unidades prisionais, das quais seis foram selecionadas para passar pela auditoria. Os critérios de escolha levaram em conta o porte, o gênero da população carcerária, a representatividade e o nível de risco. A seleção segue diretrizes do Manual de Auditoria Operacional do Tribunal de Contas da União (5ª edição, 2024) e das Normas Brasileiras de Auditoria Aplicadas ao Setor Público (NBASPs 300, 3000, 3910 e 3920), de forma que os resultados possam ser aplicados a todo o sistema prisional.

Unidades fiscalizadas

As primeiras inspeções ocorreram entre os dias 18 e 19 de setembro, na Unidade Penal Regional (UPRP) e na unidade feminina de Palmas, conduzidas por servidores da Primeira Diretoria de Controle Externo, ligada à Primeira Relatoria, sob responsabilidade do conselheiro Manoel Pires dos Santos.

Nesta semana, os trabalhos foram estendidos para as unidades prisionais de Augustinópolis, Araguaína (Barra da Grota), Guaraí e Miranorte (feminina).

A auditoria faz parte do Plano Anual de Fiscalização (PAF) do Tribunal de Contas.

O que será analisado

O trabalho dos auditores é considerado amplo e envolve várias etapas:

  • Planejamento e contratação: se os contratos atendem ao princípio da economicidade, garantindo menor custo sem perda de qualidade, e se têm cláusulas claras sobre quantidade, qualidade, frequência e condições de fornecimento.
  • Armazenamento, transporte e distribuição: se os alimentos são transportados em condições adequadas de tempo e temperatura, e se as unidades possuem equipamentos e controles para recebimento e conferência.
  • Qualidade nutricional e higiênico-sanitária: se as refeições seguem o Guia Alimentar para a População Brasileira, respeitando recomendações nutricionais e evitando riscos de contaminação.
  • Controle e fiscalização interna: se existem rotinas de monitoramento, registros documentais e fiscalização efetiva por parte da Secretaria de Cidadania e Justiça ou órgão responsável.

Durante as vistorias, os auditores acompanham todas as etapas até a entrega da comida aos reeducandos. O processo inclui entrevistas com presos e servidores, pesagem dos alimentos item por item para conferir se as quantidades correspondem ao contrato, além da experimentação das refeições para avaliar a qualidade.

Riscos e impactos

Segundo o auditor de controle externo Carlos Edgar Sousa Ferreira, o objetivo é assegurar que os internos recebam alimentação digna e adequada.

?Estamos analisando desde o planejamento das contratações até o transporte, recebimento, distribuição e fiscalização dessa alimentação, para garantir que os custodiados recebam uma comida saudável e digna, em respeito ao princípio da dignidade humana. Ao final, vamos elaborar um relatório que pode conter recomendações ao gestor, apontando melhorias e possíveis gargalos que precisam ser corrigidos?, explicou.

O fornecimento inadequado das refeições pode gerar consequências graves, como riscos à saúde dos internos, aumento de conflitos dentro das unidades prisionais e prejuízos financeiros ao Estado por falhas contratuais ou desperdícios.

A auditoria, segundo o TCETO, não se limita a checar conformidade legal, mas também busca propor melhorias e fortalecer a eficiência, a economicidade e a humanização da gestão prisional no Tocantins.