Sábado, 10 de janeiro de 2026
Estado

Com trânsito mais letal do país, MP apura omissão do governo do Tocantins

Com trânsito mais letal do país, MP apura omissão do governo do Tocantins
Com trânsito mais letal do país, MP apura omissão do governo do Tocantins

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou um procedimento administrativo para investigar possíveis omissões do poder público estadual no combate às mortes no trânsito. A iniciativa, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), foi formalizada nesta segunda-feira (7), com base nos alarmantes índices de letalidade viária registrados no estado e na capital.

De acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados de 2025, do Centro de Liderança Pública (CLP), o Tocantins lidera a taxa de mortalidade no trânsito no país, com 37,8 mortes a cada 100 mil habitantes ? mais que o dobro da média nacional, de 17,2. Palmas, proporcionalmente, é a capital mais violenta do Brasil em acidentes fatais no trânsito, com quase 39 mortes por 100 mil habitantes.

Já segundo dados da própria Secretaria da Segurança Pública (SSP-TO), o estado apresentou aumento de 50% na média mensal de óbitos em 2024: foram 15 mortes por mês, contra 10 no ano anterior. O painel de monitoramento da SSP aponta fatores como excesso de velocidade, embriaguez ao volante, desrespeito à sinalização e ausência de medidas de segurança como faixas elevadas para pedestres.

Em resposta, o MPTO quer saber se o governo do estado e seus órgãos de trânsito estão tomando as medidas necessárias. Em até 45 dias, a SSP, o Comando-Geral da Polícia Militar e o Detran-TO terão de apresentar uma série de informações, entre elas:

  • Planejamento de ações integradas para prevenção e redução de crimes de trânsito;
  • Critérios adotados para realização de blitzes;
  • Dados estatísticos sobre acidentes com vítimas;
  • Previsão de recursos humanos e materiais para ações fiscalizatórias;
  • Medidas para cumprimento das metas do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).

O coordenador do Gaesp, promotor de Justiça João Edson de Souza, afirmou que o objetivo é pressionar os órgãos públicos para que adotem providências com base em critérios técnicos. ?Temos a finalidade de fomentar, acompanhar e fiscalizar a adoção de providências [?] em busca de alcançar a redução dos índices de mortes e lesões no trânsito?, afirmou. Ele também integra o Conselho de Segurança Pública do Tocantins (Conesp/TO).

O MPTO ainda comunicou a abertura do procedimento ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO), às promotorias com atribuições criminais e de controle externo da atividade policial, e ao Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim).