Em vídeo obtido pela reportagem, suspeita confessa crime e relata passo a passo da execução; investigação aponta sinais de tortura na vítima.
O vídeo do depoimento de Rejane Mendes à Polícia Civil, ao qual a reportagem teve acesso, revela detalhes do assassinato do empresário José Paulo Couto, de 67 anos, em Araguaína, norte do Tocantins. Ela foi denunciada pelo Ministério Público e virou ré por homicídio qualificado nesta segunda-feira (11). Rejane está presa desde 12 de julho e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
O corpo do empresário foi encontrado em 10 de julho, enrolado em panos e amarrado, sob uma ponte na Avenida Frimar, após denúncia anônima. No mesmo dia, o carro dele foi localizado abandonado em um terreno baldio.
Segundo a investigação, Rejane matou o empresário após ele manifestar que iria terminar o relacionamento e reduzir o valor do auxílio financeiro que lhe repassava mensalmente.
Em seu depoimento, a suspeita contou que, ao servir água para a vítima, viu uma faca na cozinha e decidiu cometer o crime.
“Fui na cozinha, peguei água pra ele e vi a faca. Aí falei assim: ‘tá perdido mesmo pra mim. Vou terminar o que tinha pra fazer’, aí matei ele. Eu achava que matando ele ia desfazer do corpo e ninguém ia ficar sabendo. E ele saindo machucado, tinha a possibilidade de passar na polícia e falar que fui eu”, disse.
A suspeita afirmou ainda que amarrou José Paulo antes de matá-lo e que ele acreditou que a faca seria usada para libertá-lo:
“Ele pensou que eu fosse libertar ele. ‘Corta, minha filha, essas cordas, eu te perdoo’. No lugar de cortar as cordas, eu enfiei na garganta dele, calada. Nem falei que ia matar ele”, declarou.
De acordo com a Polícia Civil, o crime começou com uma discussão, seguida de luta corporal. Rejane teria imobilizado o empresário, que foi estrangulado e, em seguida, atingido por golpes de faca. O corpo apresentava sinais de tortura, como fratura no punho esquerdo e cortes no pescoço.
Ainda segundo as investigações, a suspeita se desfez das joias e do celular da vítima, chamou a irmã para ajudar a ocultar o corpo e pediu que uma terceira pessoa levasse o carro do empresário até um terreno baldio, alegando que tinha adquirido o veículo, mas não sabia dirigir.
Rejane Mendes segue presa na delegacia de Ananás, no norte do estado. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Kilber Correia Lopes, da 1ª Vara Criminal de Araguaína, na última sexta-feira (8).