PF relata retirada de objetos em endereço ligado a Wanderlei Barbosa antes de buscas da Operação Nêmesis, diz decisão do STJ

Documento do ministro Mauro Campbell aponta uso de veículos oficiais e possível apoio de policiais militares durante movimentação em imóvel da sogra do governador afastado

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinada pelo ministro Mauro Campbell, descreve que a Polícia Federal recebeu uma denúncia de movimentação suspeita em um endereço ligado ao governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) pouco antes do cumprimento dos mandados da Operação Nêmesis, deflagrada nesta quarta-feira (12).

Segundo o documento, a PF foi informada de que Wanderlei estaria comandando a retirada de diversos itens da casa da sogra, utilizando veículos alugados pelo Governo do Estado e com o apoio de policiais militares possivelmente à paisana.

Ainda conforme a decisão, a denúncia relatava que Wanderlei teria sido avisado previamente de que seria alvo de mandados judiciais e que a movimentação teria ocorrido no mesmo dia 3 de setembro, quando o STJ deliberava sobre o afastamento do governador no âmbito da Operação Fames-19.

A PF relatou ao STJ que foram retirados do imóvel documentos, equipamentos eletrônicos e, possivelmente, dinheiro. As equipes registraram imagens da movimentação, e, segundo o relatório, o próprio governador “orientava e coordenava o transporte de caixas, malas, bolsas e mochilas” durante o esvaziamento do local.

O documento destaca que outras pessoas presentes no endereço, no momento da retirada dos itens, haviam sido alvo de buscas horas antes, entre elas o ex-secretário de Parcerias e Investimentos, Thomas Jefferson Gonçalves. Ele é investigado por supostamente ter alertado Wanderlei sobre a Operação Fames-19 antes do cumprimento dos mandados.

A defesa de Thomas Jefferson afirmou que o ex-secretário “nunca trabalhou para causar qualquer embaraço às investigações” e que sua atuação ao lado do governador ocorreu apenas no exercício do cargo.

Veículos oficiais e manobras evasivas

Por haver policiais militares à paisana no local, os agentes federais decidiram não realizar abordagem imediata, optando por acompanhar os veículos para identificar o destino dos objetos.

Entretanto, segundo a decisão, isso não foi possível porque os automóveis “realizaram manobras evasivas para se dispersarem”.

A PF consultou os dados dos veículos e identificou que eles eram locados pelo Governo do Tocantins. A empresa responsável afirmou que dois veículos não possuíam rastreador porque “não houve a liberação para instalação dos equipamentos por parte da contratante”, enquanto outros dois apresentavam falhas no sistema — motivo pelo qual não foi possível identificar o destino final dos itens retirados.

Manifestação de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama

A assessoria do governador afastado afirmou que ele recebeu “com estranheza mais uma operação da Polícia Federal enquanto espera julgamento de recurso no Supremo Tribunal Federal” e que “reitera a sua disponibilidade para colaborar com as investigações e mantém a sua confiança na justiça e nas instituições”.

A primeira-dama afirmou que “repele as acusações infundadas de tentativa de embaraço às investigações” e reiterou sua disposição de colaborar com a Justiça.

As apurações seguem no âmbito da Operação Nêmesis, que investiga suposta tentativa de obstrução das investigações da Operação Fames-19, conduzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo STJ.

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