PCC e CV disputam território em Palmas e Araguaína, aponta estudo sobre facções no Tocantins
Relatório divulgado na COP30 identifica atuação criminosa em 17 municípios do estado e aponta avanço do crime organizado na Amazônia Legal
O Tocantins aparece com 17 municípios sob influência de facções criminosas e com disputa direta entre PCC e Comando Vermelho (CV) nas cidades de Palmas e Araguaína. Os dados fazem parte da 4ª edição da pesquisa Cartografias da Violência na Amazônia, lançada nesta quarta-feira (19) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) durante a COP30, em Belém.
O levantamento aponta que quatro facções operam no estado: PCC, CV, Amigos do Estado (ADE), identificada em Almas, e o Bonde do Cangaço, com atuação registrada em Taguatinga. Segundo o relatório, em 14 cidades há apenas um grupo dominante, enquanto Palmas, Araguaína e uma terceira cidade registram conflito territorial entre organizações rivais.
Avanço das facções no estado
De acordo com o estudo, o avanço do crime organizado no Tocantins está diretamente ligado ao papel estratégico do estado no fluxo de drogas entre a região amazônica e os centros consumidores do país. As rodovias estaduais são apontadas como rota crescente para circulação de cargas ilícitas ocultadas em mercadorias legais.
Além de Palmas e Araguaína, o relatório indica presença criminosa em municípios como Alvorada, Gurupi, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional, Miracema, Xambioá, São Bento e Araguatins.
Contexto regional
O cenário no Tocantins acompanha a tendência observada em toda a Amazônia Legal. Segundo o estudo, 45% dos municípios da região apresentam atuação de facções — um crescimento de 32% em um ano. O crime organizado ampliou domínio sobre rotas terrestres, fluviais e aéreas, além de expandir conexões com crimes ambientais, como garimpo ilegal e exploração florestal.
Os pesquisadores destacam que Tocantins e Maranhão se tornaram corredores essenciais entre a Amazônia e o restante do Brasil, facilitando o escoamento de drogas destinadas tanto ao consumo interno quanto ao mercado internacional.
Recomendação de ações integradas
O relatório conclui que o avanço das facções exige respostas articuladas entre diferentes instituições, com foco em inteligência policial, vigilância de rotas, ações de fronteira e fortalecimento do controle territorial. Segundo os autores, o Tocantins está hoje posicionado em um dos principais mapas estratégicos do crime organizado no país.

